O Brasil é onde se tem mais idiotas por metro quadrado do mundo

O Brasil é onde se tem mais idiotas por metro quadrado do mundo

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'Os Idiotas Confessos', de Nelson Rodrigues, os 'Cornos Mansos' em 'Ubu Rei' de Alfred Jarry' e os adoradores de politicopatas no Brasil.

Ou, os adoradores de politicopatas.

Uma reflexão diante da incomensurável burrice que aturamos diariamente entre os adoradores de politicopatas e corruptopatas no Brasil.

Nelson Rodrigues, numa crônica de 1968, intitulada 'Os Idiotas Confessos', ressalta que a imprensa daquela época sempre deixava de lado o termo mais importante, 'idiota'.

Agora, nos dias hodiernos, a grande velha mídia, a imprensa, repleta de adoradores de politicopatas, vassalos de ideologias e partidos, majoritariamente de esquerda, usa o termo idiota apenas quando se trata de adversários de suas crendices políticas fantasiosas e utópicas. Mas, no fundo são todos idiotas e meretrizes de partidos e ideologias comandados por outros idiotas e cornos mansos, viciados em dinheiro e poder tendo nessas coisas 'a maior forma de realização existencial'.

Nelson Rodrigues, escrevera:

Antigamente, o idiota era o idiota. Nenhum ser tão sem mistério e repito: — tão cristalino. O sujeito o identificava, a olho nu, no meio de milhões. E mais: — o primeiro a identificar-se como tal era o próprio idiota. Não sei se me entendem. No passado, o marido era o último a saber. Sabiam os vizinhos, os credores, os familiares, os conhecidos e os desconhecidos. Só ele, marido, era obtusamente cego para o óbvio ululante.
 
Sim, o traído ia para as esquinas, botecos e retretas gabar a infiel: — “Uma santa! Uma santa!”. Mas o tempo passou. Hoje, dá-se o inverso. O primeiro a saber é o marido. Pode fingir-se de cego. Mas sabe, eis a verdade, sabe. Lembro-me de um que sabia endereço, hora, dia etc. etc.
 
Pois o idiota era o primeiro a saber-se idiota. Não tinha nenhuma ilusão. E uma das cenas mais fortes que vi, em toda a minha infância, foi a de uma autoflagelação. Um vizinho berrava, atirando rútilas patadas: — “Eu sou um quadrúpede!”. Nenhuma objeção. E, então, insistia, heróico: — “Sou um quadrúpede de 28 patas!”. Não precisara beber para essa extroversão triunfal. Era um límpido, translúcido idiota.
 
E o imbecil como tal se comportava. Nascia numa família também de imbecis. Nem os avós, nem os pais, nem os tios, eram piores ou melhores. E, como todos eram idiotas, ninguém pensava. Tinha-se como certo que só uma pequena e seletíssima elite podia pensar. A vida política estava reservada aos “melhores”. Só os “melhores”, repito, só os “melhores” ousavam o gesto político, o ato político, o pensamento político, a decisão política, o crime político.
 
Por saber-se idiota, o sujeito babava na gravata de humildade. Na rua, deslizava, rente à parede, envergonhado da própria inépcia e da própria burrice. Não passava do quarto ano primário. E quando cruzava com um dos “melhores”, só faltava lamber-lhe as botas como uma cadelinha amestrada. Nunca, nunca o idiota ousaria ler, aprender, estudar, além de limites ferozes. No romance, ia até ao Maria, a desgraçada.
 
Vejam bem: — o imbecil não se envergonhava de o ser. Havia plena acomodação entre ele e sua insignificância. E admitia que só os “melhores” podem pensar, agir, decidir. Pois bem. O mundo foi assim, até outro dia. Há coisa de três ou quatro anos, uma telefonista aposentada me dizia: — “Eu não tenho o intelectual muito desenvolvido”. Não era queixa, era uma constatação. Santa senhora! Foi talvez a última idiota confessa do nosso tempo.
 
De repente, os idiotas descobriram que são em maior número. Sempre foram em maior número e não percebiam o óbvio ululante. E mais descobriram: — a vergonhosa inferioridade numérica dos “melhores”. Para um “gênio”, 800 mil, 1 milhão, 2 milhões, 3 milhões de cretinos. E, certo dia, um idiota resolveu testar o poder numérico: — trepou num caixote e fez um discurso. Logo se improvisou uma multidão. O orador teve a solidariedade fulminante dos outros idiotas. A multidão crescia como num pesadelo. Em quinze minutos, mugia, ali, uma massa de meio milhão.
 
Se o orador fosse Cristo, ou Buda, ou Maomé, não teria a audiência de um vira-lata, de um gato vadio. Teríamos de ser cada um de nós um pequeno Cristo, um pequeno Buda, um pequeno Maomé. Outrora, os imbecis faziam platéia para os “superiores”. Hoje, não. Hoje, só há platéia para o idiota. É preciso ser idiota indubitável para se ter emprego, salários, atuação, influência, amantes, carros, jóias etc. etc.
 
Quanto aos “melhores”, ou mudam, e imitam os cretinos, ou não sobrevivem. O inglês Wells, que tinha, em todos os seus escritos, uma pose profética, só não previu a “invasão dos idiotas”. E, de fato, eles explodem por toda parte: são professores, sociólogos, poetas, magistrados, cineastas, industriais. O dinheiro, a fé, a ciência, as artes, a tecnologia, a moral, tudo, tudo está nas mãos dos patetas.
 
E, então, os valores da vida começaram a apodrecer. Sim, estão apodrecendo nas nossas barbas espantadíssimas. As hierarquias vão ruindo como cúpulas de pauzinhos de fósforos. E nem precisamos ampliar muito a nossa visão. Vamos fixar apenas o problema religioso. A Igreja tem uma hierarquia de 2 mil anos. Tal hierarquia precisa ser preservada ou a própria Igreja não dura mais quinze minutos. No dia em que um coroinha começar a questionar o papa, ou Jesus, ou Virgem Maria, será exatamente o fim.
 
É o que está acontecendo. Nem se pense que a “invasão dos idiotas” só ocorreu no Brasil. Se fosse uma crise apenas brasileira, cada um de nós podia resmungar: — “Subdesenvolvimento” — e estaria encerrada a questão. Mas é uma realidade mundial. Em que pese a dessemelhança de idioma e paisagem, nada mais parecido com um idiota do que outro idiota. Todos são gêmeos, estejam uns aqui, outros em Cingapura.
 
Mas eu falava de que mesmo? Ah, da Igreja. Um dia, ao voltar de Roma, o dr. Alceu falou aos jornalistas. E atira, pela janela, 2 mil anos de fé. É pensador, um alto espírito e, pior, uma grande voz católica. Segundo ele, durante os vinte séculos, a Igreja não foi senão uma lacaia das classes dominantes, uma lacaia dos privilégios mais hediondos. Portanto, a Igreja é o próprio Cinismo, a própria Iniqüidade, a própria Abjeção, a própria Bandalheira (e vai tudo com a inicial maiúscula).
 
Mas quem diz isso? É o Diabo, em versão do teatro de revista? Não. É uma inteligência, uma cultura, um homem de bem e de fé. De mais a mais, o dr. Alceu tinha acabado de beijar a mão de Sua Santidade. Vinha de Roma, a eterna. E reduz a Igreja a uma vil e gigantesca impostura. Mas se ele o diz, e tem razão, vamos, já, já, fechar a Igreja e confiscar-lhe as pratas.
 
Cabe então a pergunta: — “O dr. Alceu pensa assim?”. Não. Em outra época, foi um dos “melhores”. Mas agora é preciso adular os idiotas, conquistar-lhes o apoio numérico. Hoje, até o gênio se finge imbecil. Nada de ser gênio, santo, herói ou simplesmente homem de bem. Os idiotas não os toleram. 
 
E as freiras põem short, maiô e posam para Manchete como se fossem do teatro rebolado. Por outro lado, d. Hélder quer missa com reco-reco, tamborim, pandeiro e cuíca. É a missa cômica e Jesus fazendo passista de Carlos Machado. Tem mais: — o papa visitará a América Latina. Segundo os jornais, teme-se que o papa seja agredido, assassinado, ultrajado etc. etc. A imprensa dá a notícia com a maior naturalidade, sem acrescentar ao fato um ponto de exclamação. São os idiotas, os idiotas, os idiotas. [19/8/1968]

A tendência de agir como corno manso nos idólatras de Poderosos

Já esse louco menestrel de sua própria arte, Alfred Jarry (1873-1907), satírico, ácido, sarcástico, intenso, mais realista que niilista, criador da zueira 'Patafísica', 'a ciência das soluções imaginárias', autor de 'UBU Rei, ou Os Poloneses', morto por seus próprios excessos e ansiedades aos tenros 34 anos de idade, ressalta a tendência de 'corno manso' naqueles que idolatram os que estão no Poder. 

Nessa obra escrita quando ainda tinha 24 anos de idade, Jarry usava a expressão: 'De par ma chandelle verte'

Uma nota de rodapé de edições posteriores, esclarece que é a expressão de Jarry, 'é referência a uma peça escrita por ele quando estudante'. [...] Essa expressão aparecerá várias vezes na peça. como uma espécie de idiossincrasia (esquisitice) de Ubu. Pode-se admitir outras intenções de Jarry, como referência a 'tenir la chandelle': agir como corno manso. [...]

Os adoradores de politicopatas de hoje no Brasil

Ao ler as obras, pesquisar a etimologia das palavras, suas variações e o contexto em que os textos foram escritos, chegamos à conclusão simples mas não simplória, de que passam-se os tempos, em todo o Planeta, existirão os 'Idiotas Confessos', os que agem como 'Cornos Mansos'. 

Contudo, sobre a nossa realidade no Brasil, é necessário acrescentar o que nos parece mais importante:

'todos esses toscos não passam de adoradores de politicopatas', apegados demais ao dinheiro, aos bens materiais, ao acúmulo de coisas, ao consumo desenfreado, como formas de realização humana. Tais idiotas confessos são viciados em dinheiro fácil, principalmente, no dinheiro roubado/desviado do povo, mais precisamente, da esmola que cai dos sacos dos ladrões politicopatas'.

A grande velha mídia, a grande imprensa, vassala de ideologias, viciada em dinheiro fácil, em verbas governamentais, nunca age por ideologia apenas, mas por grana, por esmolas de ladrões do povo, e nesse lenga lenga de bate e assopra, de gambiarra em gambiarra, de meias verdades, guerras de narrativas, malabarismos mentais em defesa de safadezas e cretinices, de faz de contas, segue o Brasil como o maior aglomerado de 'Idiotas Confessos' e de 'Cornos Mansos' do Planeta Terra, de direita, de esquerda e de outros lados e vias. Todos esperando o malvado preferido assumir, temporariamente, o Poder para projetar nele, num caso prático de complexo Freudiano, toda a falsa imagem de virtude, realização material, Poder, moral, ética e de espiritualidade.


(Texto de Emerson Rodrigues/Eghus Kaninnri, XIII L.C. In: Realismologia, Consciecialismo Realista)

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