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28/06/2015   

Prefeita diz que 400 pessoas são assassinadas por semana em Caracas, na Venezuela

Venezuela é uma ditadura bolivariana! Diz a prefeira de Caracas, Helen Fernández, a qual está no cargo desde que Antonio Ledezma se tornou um dos presos políticos do regime chavista e conta como é administrar a cidade apesar da sabotagem dos seguidores de Nicolás Maduro

Com 3 milhões de habitantes, Caracas tem uma série de problemas. A cada semana, cerca de 400 de seus moradores são assassinados. Há brigas diárias nas filas para comprar comida causadas pela política econômica desastrosa do presidente Nicolás Maduro.

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Motoqueiros chavistas patrulham as ruas e amedrontam os opositores. Em fevereiro, o prefeito Antonio Ledezma foi levado à força de seu escritório pelo Serviço de Inteligência, acusado de conspirar contra Maduro. Por motivos de saúde, foi colocado em prisão domiciliar. Ledezma é um dos 70 presos políticos hoje existentes no país.

A economista Helen Fernández, de 64 anos, havia sido escolhida pelo prefeito como sua vice e ocupa seu cargo interinamente. Os dois se conhecem das manifestações contra o governo de Hugo Chávez.

"Nunca concordei com o populismo. Sou consciente do valor da meritocracia, esta, sim, um fator de geração de oportunidades", disse ela. Aos que ainda não resistem aos fatos, ela explica porque a Venezuela é uma ditadura.

Depois de muito adiar, o governo venezuelano marcou eleições legislativas para o dia 6 de dezembro. A oposição está otimista? É uma conquista saber que temos uma data e que podemos planejar melhor a campanha, pois temos certeza de que triunfaremos. A maioria dos venezuelanos nos apoia e está saturada da crise profunda no país. O primeiro passo para sair dela é mudar o parlamento, hoje controlado pelo governo. Agora, falta o governo libertar os presos políticos para que se tenha uma real retomada da via democrática.

Apesar das eleições, por que a oposição diz que a Venezuela vive sob uma ditadura? Pode-se provar isso de muitas maneiras. A administração de Caracas é um bom exemplo. A Prefeitura Metropolitana de Caracas foi criada por meio da Assembleia Constituinte em 2000, durante o governo do presidente Hugo Chávez. Ledezma foi eleito em 2008 e reeleito em 2012, e sempre fomos hostilizados. Em 2009, grupos ligados a Chávez nos desalojaram das instalações da prefeitura. Em seguida, em uma ação coordenada, o governo retirou das nossas mãos a maior parte das funções da prefeitura, como saúde, administração dos hospitais, polícia, asilos e serviços sociais. Também retirou 99,5% do orçamento, que foi transferido para uma prefeitura alternativa, comandada por um interventor, Ernesto Villegas. Deixaram-nos com apenas 0,5% do orçamento. Os membros dessa nova prefeitura são escolhidos a dedo segundo a ideologia partidária. Lá, só trabalham chavistas. Dessa maneira, eles ignoraram completamente o resultado da eleição popular, que foi vencida por Ledezma. Essa administração paralela não está dentro da lei. É uma clara violação do direito do voto dos venezuelanos.

Com o objetivo de visitar Leopoldo Lopez, um dos presos políticos, um grupo de senadores brasileiros esteve em Caracas na quinta-feira, dia 18. Eles foram barrados na estrada por manifestantes chavistas. Foi uma sabotagem planejada pelo governo? Lamentamos muito o que aconteceu com os senadores brasileiros, mas devo dizer que não é algo estranho para nós. Esses militantes são usados pelo governo para amedrontar a oposição. Eles aparecem em nossos eventos para nos agredir. É gente paga pelo governo para nos desestabilizar e até nos acusar de crimes sem qualquer fundamento. Algumas vezes eles chegam com pedras e paus, em outras com bombas de gás lacrimogêneo e armas.

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A senhora esperava que os políticos brasileiros tivessem tratamento diferente?

A falta de respeito com os senadores brasileiros é inaceitável. Existem tratados internacionais que precisam ser obedecidos. Os senadores têm todo o direito de transitar em nosso país. A polícia não parece ter feito muito esforço para protegê-los. Não foram colocadas escoltas. Não posso dizer que o que aconteceu nos agrada, mas é bom que os brasileiros tenham visto o que ocorre em nosso país. Se o governo se atreve a fazer o que fizeram a autoridades brasileiras, imaginem o que sofrem aqueles de nós que ousamos levantar a voz para exigir os direitos constitucionais? Isso mostra que esse país é um regime absolutamente ditatorial onde não se respeita sequer a cláusula democrática de tratados internacionais, como o Mercosul. Eu acredito que Dilma Rousseff deveria se pronunciar com mais vigor sobre o assunto, pois houve uma ruptura de tratados internacionais e foi um episódio antidiplomático. Quero que fique claro que nós, venezuelanos, estamos absolutamente envergonhados com o tratamento que foi dado aos senadores. A Venezuela sempre foi um país aberto, que gosta de receber visitantes, ainda mais da categoria dos que estiveram aqui.

Os túneis que davam acesso à prisão que seria visitada pelos parlamentares brasileiros estavam fechados. A desculpa é que estavam sendo limpos. Foi uma concidência? Nada é casual. Não é por acaso que tenham fechado as vias no dia em que os senadores nos visitaram. Isso foi uma estratégia do governo, está claro. A chamada "estrada velha", que poderia servir de caminho alternativo, foi interrompida por manifestantes simpáticos ao governo. A estrada pan-americana que leva até o presídio de Ramo Verde também foi fechada. Houve uma estratégia armada para que eles não pudessem entrar na cidade de Caracas.

Estamos muito agradecidos aos senadores que vieram ao nosso país. É importante que vejam não só a situação dos presos políticos, mas também das filas, do sequestro dos poderes, da ingovernabilidade e da institucionalidade. (As informações são de Veja, leia a entrevista na íntegra) (Foto de Helena é de (Gregorio Marrero/Archivolatino/VEJA)





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DÓRIA ENSINA BOLSONARO

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