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29/06/2020   

Além da nova onda do COVID-19, China registra nova versão do vírus da gripe resistente à vacina

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COM INFOS DE FOLHA DE SP -  Pesquisadores chineses identificaram uma nova versão do vírus da gripe, com potencial para se espalhar com facilidade entre a população mundial, no organização de porcos criados em diversas províncias do país asiático.

O vírus suíno detectado pelos cientistas tem algumas características preocupantes.

De um lado, as atuais vacinas contra gripe não parecem conferir proteção significativa contra ele; de outro, apesar da origem em animais, ele não tem dificuldades para infectar células humanas. Alguns dos criadores de porcos da China, ao que tudo indica, já pegaram o vírus e se recuperaram, a julgar pela presença de anticorpos em seu sangue.

Dados sobre a novidade cepa do vírus influenza, porquê também é espargido o originador da gripe, acabam de ser publicados na revista científica americana PNAS em pesquisa coordenada por George Gao, do Meio Chinês de Controle e Prevenção de Doenças.

Gao e seus colegas integram um esforço de mapeamento epidemiológico dos vírus influenza em porcos que, entre 2011 e 2018, coletou quase 30 milénio amostras de muco do venta de porcos em dez províncias chinesas que abrigam grandes populações de suínos. Ironicamente, o trabalho foi guiado para publicação em dezembro de 2019, pouco antes que a crise de saúde pública causada pelo novo coronavírus ganhasse corpo na China.

Permanecer de olho na evolução dos vírus de porcos é uma medida lógica porque o organização desses mamíferos domésticos é considerado um “misturador” procedente de diferentes cepas de gripe, porquê as que circulam em aves (tanto selvagens quanto domésticas) e em seres humanos.

Não é por eventualidade que a pandemia de influenza de 2009 ganhou o sobrenome de “gripe suína”, e sabe-se inclusive que, durante aquele incidente pandêmico, houve transmissão de mão dupla, com a gripe passando de humanos para porcos.

Diferentes formas do vírus da gripe frequentemente “embaralham” seu material genético dentro do organização de seus hospedeiros, um processo que costuma dar origem a novas combinações, as quais podem pegar de surpresa as defesas de futuras vítimas. É o que parece ter ocorrido com as novas variantes identificadas pelos pesquisadores chineses, apelidadas por eles de G4 (genótipo 4).

Assim porquê o vírus da gripe de 2009, os vírus G4 são classificados porquê H1N1 ({sigla} de duas moléculas importantes que compõem o vírus, responsáveis por sua ingresso e saída das células infectadas). Mas eles sofreram tantas mutações que a vacina contra os vírus H1N1 já conhecidos não é capaz de neutralizá-los.

Ou por outra, outras moléculas do vírus vêm de misturas genéticas com duas outras cepas, uma similar à gripe de aves e outra que circulava na América do Setentrião. Trata-se, portanto, de uma junção de três formas anteriores do vírus influenza, numa combinação que não tinha sido vista até agora.

Experimentos feitos com células humanas e com furões (animais muito usados para estudar a evolução da gripe) mostraram que os vírus G4 infectam com facilidade esse tipo de célula e causam sintomas típicos de gripes relativamente graves. Uma estudo de anticorpos no sangue dos que trabalham com geração de porcos nas mesmas províncias chineses, um grupo de mais de 300 pessoas, revelou que 10% delas parecia ter tido contato com a novidade cepa.

Os especialistas defendem a intensificação do monitoramento e do controle entre suínos para evitar que o novo vírus, que tem potencial pandêmico, consiga se espalhar mais entre os seres humanos.





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